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"Comunidade não dá dinheiro"

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Olá! Pode sentar, porque que lá vem história....

Nesse post* quero tentar compartilhar um pouco do que aprendi até então, nessa vida maluca que temos.

Sendo assim, como naquela música, nada aqui possuí outra base confiável além de minha própria experiência errante. E estando todos avisados disso, vamos nessa...

Eu até poderia utilizar outra pessoa de exemplo no post, mas concordam comigo que seria impossível saber detalhadamente da vida de outra pessoa mais do que da minha própria vida?

Pois é, principalmente se levar em conta que a idéia aqui será a de mostrar como a comunidade mudou a minha vida, para assim talvez inspirar e mostrar que com dedicação, existem sim benefícios de se contribuir ativamente para a comunidade.

E vejam só, não quero dizer que a comunidade fez tudo por mim, mas que sim, ela foi uma peça decisiva em tudo o que eu conquistei até hoje.

Inclusive, acho que precisamos de mais posts desse tipo, que mostrem resultados, independente do contexto.

E pra começar essa história...

O Início

Saibam que antes de ter a brilhante, mas controversa idéia de ser programador, eu queria ser arquiteto...

Isso mesmo! Elaborar casas, plantas baixas, projetos no AutoCad 3D, essas coisas…...E a prova disso é esse desenho que fiz aos 11 anos:

Minha Foto

É, ainda bem que não fui pro ramo de construção, né? 😂

Okay, mas o que isso tem haver com a comunidade? O que tem haver, é que como eu disse, fiz esse desenho com 11 anos. E sabe como é, né? Com 11 anos a gente não tem muita preocupação…

A gente fica lá, viajando, fazendo desenhos 😂 Não sei vocês, mas eu era assim, esse era meu hobby 😂

Mas a idade chega, e junto com ela, responsabilidades. E por mais óbvio que seja, eu fiz 17 anos e formei no ensino médio, e bom, minha mãe estava lá...

Minha mãe é bem legal, mas foi bem direta:

Filho, trabalhe com algo, isso talvez te ajude a se encontrar.

Mas eu queria ser arquiteto, né?

E como sabemos, entre querer e ser algo, sempre existe um abismo, principalmente porque eu não tinha referência na família de arquiteto, e queira ou não, isso tem influência.

Mas para não ficar parado, eu falei o seguinte para minha mãe:

Vou fazer um curso técnico de informática!

E rolou, comecei o curso.

A Comunidade

Mesmo sendo uma decisão inocente, hoje eu sou extremamente feliz por tê-la feito, pois além de ter me trazido até então na minha vida, foi por essa decisão que eu conheci a nossa comunidade linda 😍.

E assim, sei que muita gente é alérgica ao assunto "técnico de informática" em termos de competência profissional, pois sempre é trazido para a conversa um clima de guerra de egos, sobre faculdade e sobre qual é a melhor faculdade, sendo que no final das contas, a gente sabe:

O QUE IMPORTA É VOCÊ!

Ainda mais num setor que constantemente é modificado, ou seja, essa de "minha faculdade é melhor que a sua" ou "eu sou melhor que você", é besteira. Vamos lá, se você quer aprender só o que é dado na faculdade e usar isso como referencial de intelecto, você pode ter certeza que irá ficar pra trás em algum momento.

Mas beleza...Iniciei o curso técnico, estava tudo legal e foi logo no começo que a comunidade começou a se manifestar. E de um jeito mega engraçado 😈.

Pois foi por causa de um amigo que me falou que eu teria que aprender uma stack tecnológica no curso técnico, e usando do argumento de que aquela stack do curso era ruim, ele me indicou estudar PHP e MySQL, porque essa era a stack que o mercado queria que a gente soubesse...

E nisso eu comecei a estudar "sozinho" loucamente.

Porém, analisando bem isso, já é possível ver duas vertentes da comunidade se manifestando.

Uma porque alguém tentou dar uma perspectiva diferente, falando pra ir por um caminho ao invés de um outro que estava sendo imposto.

E outra mais evidente ainda, está relacionada as dezenas de tutoriais, vídeo aulas, cursos, etc. sobre PHP e MySQL que eu consumi na época, e gente, foi uma época muito boa para mim, e mesmo não trabalhando mais com PHP atualmente, sempre que vejo alguém que me ajudou, eu faço questão de agradecer a importância deles na minha vida.

Mas voltando pra minha timeline, nisso tudo, eu tive um grande privilégio de timing, pois justamente quando eu estava estudando PHP, a comunidade de PHP entre outras estavam começando a separar as responsabilidades do código, ou seja, o HTML/CSS/JS, que era justamente o que eu mais gostava, do código server-side.

E vendo esse movimento disruptivo das comunidades, meio que comecei a ver um pessoal tomando frente do evangelismo disso no client-side.

Como por exemplo o pessoal do Front in BH, BrazilJS, Front in Sampa, Maujor, Zeno Rocha, Bernard, Jaydson entre outros que eu realmente não conseguiria listar. E vendo isso eu pensei:

Caaaaaara! Eu preciso conhecer e ajudar essa galera.

Lembro até da primeira vez que chamei o Zeno pra conversar. Na verdade, eu cheguei pentelhando mesmo 😂, pedindo conselhos profissionais e pessoais, sei que eu te incomodava cara 😍 Mas desses nossos papos, o que eu ganhei foi uma grande amizade e um mega conselho:

Dê a sua cara a tapa, Beto.

Eu poderia ter levado na banalidade, mas esse nosso papo aconteceu num momento bem oportuno, pois eu estava cansado de estudar sem propósito.

O técnico infelizmente não criava muitos desafios, o mercado de onde eu morava não era bom, e isso somou com o que eu vinha pensando sobre ajudar a galera da comunidade, ir à eventos e como eu disse no início, o que importava naquele momento seriam minhas decisões, eu tinha que tomar uma atitude sobre isso. Foi quando eu pensei:

VOU TER QUE MUDAR DE CIDADE!

Minas Gerais, Front in BH e o Dev in Company

Não foi uma decisão fácil e nem do dia pra noite, mas era a melhor decisão dado o meu contexto de vida, e por isso, hoje posso afirmar que 70% dos motivos da minha mudança para morar e trabalhar em Belo Horizonte em 2011, foi por causa da venda que a comunidade fazia. #FICAADICAEMPRESAS

Era onde eu sentia que deveria estar.

Mas e ai, como foi chegar em Belo Horizonte? A comunidade era isso tudo mesmo? Infelizmente, não…

Acredite, isso me deixou bem frustrado e inquieto. Mas eu ainda fiquei na minha. Era tudo muito novo, né?

Mas tudo começou a mudar quando aconteceu 15º encontro locaweb em 2013. Porque foi lá que eu conheci pessoas que estavam tão engajadas quanto eu estava sobre o assunto: O Ruy Adorno, Marlos Carmo, Erick Belfort e o Luiz Augusto (Luri).

Falamos rapidamente nesse evento em questão, trocamos contatos, e bom, começamos a trocar idéias sobre a comunidade, além de marcar um encontro na edição de 2013 do Front in BH.

O grande dia chegou e foi sensacional, mas a melhor parte foi na hora do almoço, não só pelo almoço 😂.

Mas porque foi nesse momento que levantamos na nossa perspectiva os reais problemas da comunidade na época: A galera não tinha oportunidade de conhecer as empresas do mercado e nem as empresas mostravam interesse em abrir suas portas para isso acontecer, ficava cada um em seu mundo, e no fim, isso não ajudava ninguém.

E neste mesmo almoço, também levantamos uma provável solução pra os problemas: Vamos criar um evento com recorrência bimestral para suprir este gap que notamos, e foi nesse mesmo dia que surgiu o Dev in Company.

A partir daí, 2 semanas depois do Front in BH de 2013, a primeira edição do Dev in Company estava acontecendo, mas pensa numa galera que não fazia idéia de como seria organizar um evento e nunca haviam palestrado...

Pois é, quando a gente quer, a gente faz. E o evento foi bem legal, tinha cerveja 🍺, pizza 🍕 e um local bacana. Pensando sobre isso hoje, foi loucura total 😂 Mas eu faria novamente.

E nisso, a coisa foi crescendo, outras pessoas começaram a abraçar os ideais de se criar soluções através da comunidade para melhorar o mercado, e chegou num ponto que a gente pensou, precisamos de um movimento onde a gente possa discutir sobre A Comunidade. E foi nesse momento que surgiu o Minas Dev.

O Minas Dev

Até haviam iniciativas semelhantes na época, porém muito passivas. E a galera que começou o Minas Dev chegou de modo bem ativo.

Esse certamente é o diferencial.

O impacto e receptividade foi muito legal, principalmente porque muitas comunidades que antes eram individualistas, simplesmente por terem uma visão focada em um nicho, começaram a ter uma visão ampla das coisas, e principalmente, a se ajudar mutuamente de várias formas.

Enfim, lembro que nessa época da criação do Minas Dev, eu conheci um cara chamado Paulo Pires.

Na verdade, ele chegou até mim através de um email mega legal me chamando pra criar o MinasJS visando movimentar mais a comunidade Front-End de Minas Gerais, porém como a idéia do Minas Dev já estava rolando, a gente conseguiu mudar a cabeça dele pra se juntar com a gente e criar o Minas Dev, que visava algo maior para o momento, e claro, totalmente tech free.

Mas porque estou falando do Paulo Pires? Outras pessoas fodas também ajudaram a criar o Minas Dev, certo?

Porque ele foi outro grande ator da comunidade que me incentivou a realizar um outro grande movimento na minha vida, que no caso, foi me mudar para São Paulo para morar e trabalhar.

São Paulo, Trabalho Remoto, Google & Polônia

Vejam só, talvez se não tivesse rolado o Dev in Company, talvez se o Dev in Company não tivesse projetado um ideal de uma comunidade melhor para Belo Horizonte e Minas Gerais, talvez se o Paulo não tivesse visto e acreditado nesse ideal, a gente talvez nunca teria se conhecido, e no fim das contas, nada disso teria acontecido.

Okay, poderia ter acontecido de outras formas, mas essa foi a forma que aconteceu, e foi a melhor forma na minha opinião.

E São Paulo foi uma ótima época pra minha vida, palestrei bastante por lá, criei e ajudei meetups locais, etc.

E foi assim, por mais ou menos um ano e pouco, pois logo eu voltei pra Belo Horizonte e aqui estou desde então, mas nesse caso, porque voltar?

Na real, foi por um interesse "pessoal", que naquele momento era Toptal, mas principalmente trabalhar remotamente de um lugar que eu me sentia em casa. Mas ai fica a pergunta, o que isso tem haver? O que tem haver aqui é justamente a Toptal.

Pois eu não conheci ela por acaso. Lembra do Luri 🔝? O cara que conheci em um evento e que juntos fizemos várias coisas juntos em Minas Gerais? Então, ele foi quem super indicou a Toptal pra mim, pois ele entrou nela primeiro. Sim, tudo se conecta, e fica evidente que a comunidade sempre se apresenta.

Mas como nem tudo são rosas, apliquei no processo da Toptal, que por sinal é bem rigoroso, e infelizmente fui reprovado.

Pois é, meu plano meio que deu errado no início. No caso, fui reprovado na primeira etapa por conta do meu inglês, e foi aí que eu vi o quanto eu precisava estudar mais esse idioma.

E estudei muito, e como no caso do PHP e MySQL, eu estava querendo colocar em prática meus estudos, e foi neste momento de vida que um outro amigo que eu fiz graças a comunidade numa palestra que dei no Front in Maceió surgiu, o Ivan Santos.

Ele chegou até mim e disse que a empresa que ele trabalhava na Califórnia estava contratando, acabei aceitando a proposta, fiz o processo deles, e no fim das contas, passei.

Eu fiquei um ano e pouco nessa empresa, e então apliquei novamente na Toptal. E dessa vez, finalmente, consegui passar em todas as etapas.

Foi incrível! Superação pessoal mesmo.

E neste ponto do post, estamos exatamente no meu atual estado de vida, apesar de não estar trabalhando atualmente com a Toptal, mas ter continuado trabalhando remotamente para empresas incríveis.

Mas não pense que a influência da comunidade sobre minha vida acabou…

Pra fechar mesmo, em 2016 eu me tornei um Google Developer Expert, após um processo da Google que avalia pessoas ativas na comunidade em determinadas áreas.

E gente, por conta desse reconhecimento e também pelo que plantei pra comunidade, recentemente fui parar na Polônia, minha primeira viagem internacional e com tudo pago pela Google.

Resumindo...

Um MALUCO que saiu de um curso técnico deslumbrado com a área, trabalha hoje numa empresa mega legal, que ele mesmo escolheu trabalhar, e foi parar na Polônia, graças a comunidade, e obviamente, para não tirar meu mérito, graças a minha dedicação nos estudos e no meu profissionalismo, mas evidentemente, a minha dedicação paralela a isso para a comunidade.

E putz! Esse maluco ainda quer tanta coisa, porém a única coisa que ele sabe, é que pelo menos essa mesma comunidade sempre estará lá, lado a lado, aberta pra ele contribuir, e também aberta para contribuir pra ele.

... E concluindo.

Este post não é sobre minha vida, até porque, não pense que é facil me expor dessa maneira, e pode ter certeza que eu não estou colocando os tombos que dei para reerguer e nem detalhando o apoio da minha família para continuar em frente.

Este post é sobre gratidão, é sobre usar tudo que rolou comigo como um case, para talvez inspirar, devolver e mostrar para vocês, partes fundamentais de algo muito maior, que com dedicação, a comunidade pode sim afetar positivamente em nossas vidas.

E lembrem-se, a comunidade não vive sozinha, ela precisa de pessoas comprometidas.

Enfim, a única coisa que ressalto é:

Reconhecimento vem, mas é preciso ter paciência e saber reconhecê-lo, e acima disso, é preciso dedicação para merecê-lo.

E era isso galera, espero que vocês realmente tenham gostado e entendido a mensagem.

BORA PARTICIPAR MAIS DA COMUNIDADE!

*Este post foi baseado na talk "Comunidade não dá dinheiro" que realizei no Front in BH 2017.